Em mais uma de minhas aventuras por ai eu acabei parando neste lugar.. chão branco, céu azul e uma fina camada de água pra dar um toque final, isso ai é o famoso Salar de Uyuni ou Deserto de Sal conhecido também como “espelho do céu“, isso porque tudo reflete nele devido a camada de água, e esse lugar fica na Bolívia!

Sobre o Salar de Uyuni

Antigamente o Salar era um lago salgado e pré histórico chamado Michin, quando o lago secou, deixou todo o sal. O Salar é enorme, um tamanho aproximado a 12.000Km² dando pra ser visto do espaço e é conhecido como a maior planície salgada do mundo . Além da área ser grande e profundidade de sal é imensa, são 120 metros de sal pra baixo e estimas-se que pode se retirar dali o equivalente a 10 bilhões de toneladas de sal. Muita gente ali vive do garimpo.

Como chegar ao Salar de Uyuni?

Existem diversas formas de se chegar até o Salar de Uyuni, a primeira e a que eu usei foi indo de ônibus desde Santa Cruz de La Sierra. São dois dias de estrada parando em Sucre e Potosí até chegar a Uyuni. Não lembro bem o valor das passagens mas eram bem baratinhas.

A outra opção é ir de avião. Pelo que eu sei saem voos fretados de La Paz para Uyuni. São empresas pequenas que levam, então é bom ficar atento aos horários e reservas, pois eles podem mudar a qualquer momento.

O que levar para o Salar de Uyuni?

O único item que eu acho indispensável de se levar ao Salar é água, e muita viu. Quando fui levei se não me engano alguns galões de 5 litros, tudo para não faltar. Leve também alguns petiscos como biscoitos e salgadinhos, só para enganar a fome, pois as principais refeições estão inclusas no tour.

Com relação a roupas, vai depender da época do ano que você for. Fui no inverno, e admito que não levei nada de roupas específicas como fleece, corta vento, anorak. Levei roupas de frio que comprei e julguei serem fortes ainda aqui no Brasil. De fato, uma calça moletom e uma tactel, além de uma camiseta, uma blusa de frio bem grossa, cachecol, touca, luvas e meias vão segurar o tranco durante o dia, como foi comigo. Tive apenas um probleminha durante a noite, uma das mais terríveis da minha vida, que nem os 2 cobertores do hotel de sal foram suficientes para aguentar o frio extremo, mas também não morri. Então roupas de frio ficam a seu critério.

Tour de 2 dias pelo Salar de Uyuni

O turismo no Salar de Uyuni é imenso, gente do mundo todo vai até lá para conhecer o lugar. Geralmente as pessoas fazem um tour de 3 dias pelo deserto em um 4×4 hospedando-se em hotéis de sal pelo caminho. Eu tive que fazer apenas 2 dias de tour pois na época havia uma nevasca atingindo a região e se arriscássemos poderíamos correr o risco de ficar presos na neve, optamos então por fazer 2 dias e no fim que o guia nos deixasse na fronteira com o Chile

Fizemos o passeio pela Colques Tour num valor de B$466,00 (valor referente ao ano de 2011). Quem foi nosso guia foi o Luís, um senhor muito atencioso e sua filha Mari que nos ajudava nas refeições.

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1º Dia de Salar

No nosso primeiro dia encontramos o Luís na agência dele, preparamos nossas coisas e o carro e partimos. A primeira parada é no Cemitério de Trens, uma antiga ferrovia que ligava Uyuni as outras cidades, para a pesada exploração de minério da região, depois de uma crise na década de 40 a ferrovia fechou, restando apenas as lembranças. No lugar tem uma grande carcaça de trens, que torna a paisagem bem interessante. Dá pra subir nos trens pra tirar fotos e assinar seu nome.

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Em seguida nós seguimos para o Salar. A chegada lá é impressionante, pois o chão muda de cor, do marrom para o branco. Chegamos em uma área que parecia mineração de sal, haviam uns montinhos de sal e o Luís disse que não podíamos subir mas que podia tirar fotos. É realmente lindo esse primeiro contato e que só pode ser feito usando óculos escuro, sem isso é impossível manter os olhos abertos por muito tempo.

Tiramos algumas fotos e partimos para o almoço, o Luís nos levou pra almoçar num restaurante/hotel totalmente feito de sal, ele se chama Hotel Playa Blanca, hoje ele não funciona mais como hotel, apenas como um dos vários pontos turísticos do Salar, todos fazem uma parada pois é lá que está um ponto com várias bandeiras de vários países. Nesse hotel nós comemos uma comidinha caseira bem boliviana que estava uma delícia, um grão que parecia arroz mas se chamava Quinua, carne de lhama, saladinha e refrigerante. Do lado de fora dessa construção de sal fica o famoso lugar com várias bandeiras de muitos países, provavelmente de viajantes que por ali passaram e deixaram sua marca.

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Após o almoço a viagem é longa, são algumas horas seguindo para dentro do deserto. Aos poucos as montanhas vão desaparecendo e a gente se pega no meio daquela imensidão azul, pois a camada de água refletia o céu azul e não tinha muito como diferenciar onde acabava o céu e começava o chão. Em um momento paramos e descemos para tirar algumas fotos e eu ficava cada vez mais sem palavras. Alguns minutos a mais de carro e chegamos a Isla Del Pescado, que é um pedacinho de terra no meio do deserto, dando a impressão que é uma ilha. A vegetação dela é bem diferente, são cactos, cactos milenares e gigantes, chegando até 9 metros de altura. A ilha é imensa e tem muita subida, pra entrar nela tem que pagar 15 bolivianos e depois fazer a trilha pra subir ao topo, devido a altitude ficamos muito ofegante mas nada que estrague a aventura, lá de cima a vista do Salar é de morrer, uma visão panorâmica sem fim.

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Quando descemos o Luís estava afoito nos esperando, ele não queria que perdêssemos o pôr do sol. Rapidinho entramos no carro e seguimos por uns 10 minutos em um ponto que dava pra ver a despedida do sol e eu vou te falar, foi a coisa mais linda que eu já vi na minha vida, nada nesses anos todos viajando o mundo me fizeram sentir o que senti ali, nada me fez chorar como chorei naquele momento. Os efeitos provocados pelos reflexos são realmente lindos.

Ao cair da noite nós seguimos para um hotel totalmente feito de sal onde passamos aquela madrugada. Após o jantar, que foi muito bem servido e um chazinho que deixaria até dona Elizabeth com inveja e de ver o céu com uma quantidade absurda de estrelas, o desafio era suportar o frio de -16º onde minhas garrafas de água congelaram. Foi a pior noite da minha vida, apesar de estar com todos os agasalhos possíveis eu não consegui dormir em nenhum momento com frio.

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2º Dia de Salar

Após o inferno de gelo da madrugada, “acordamos” bem cedinho para tomar café e seguir viagem. O dia estava lindo, céu limpo, vento fresco e frio, não podia reclamar de mais nada. Naquele momento já havíamos cruzado a parte que é de sal, dai pra frente seria desertão e poeirão puro. Seguimos para a primeira parada do dia, era a Galáxias 2 Estrelas, pouca gente vai lá, não fomos porque pegamos um caminho alternativo devido a nevasca dos últimos dias. A Galáxia 2 Estrelas é uma caverna com umas formações bem estranhas e bonitas, ela fica no meio do deserto e é administrada por um senhorzinho que vive sozinho ali. A entrada custa 20 Bolivianos, e é mais para ajudar o senhor que vive lá. Do lado da Galáxia está um antigo cemitério dos nativos que viviam ali há muitos anos atrás. Nesse cemitérios eles praticavam diversos rituais com folhas de Coca, por isso haviam muitos túmulos com crânios expostos rodeado de folhas de Coca.

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Seguindo viagem nós passamos pelo “Ejercito de Piedras“, uma grande formação de pedras na vertical que se olhado de cima parece um grande exército pronto a atacar. O que deixa a visão mais interessante é o Vulcão Ollagüe ao funo. Ali nós paramos um pouco para tirar umas fotos e ir ao banheiro, depois prosseguimos viagem até chegar a Laguna Turquiri, uma lagoa semi-congelada e com uma beleza extrema e umas formações de pedra ao redor que foram esculpidas pelo vento, e que vento hein, do tipo congelante, que se batia no rosto doía. Ali nós almoçamos tranquilamente e descansamos um pouco.

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Depois o Luís nos levou para conhecer a melhor parte, a neve! Era um grande vale totalmente gigante e nevado. Era a primeira vez que eu via aquilo na minha vida, então já deu pra perceber que fiquei que nem uma criança. Brincamos ali até dizer chega! No começo é bom correr e fazer peripércias na neve, mas depois cansa.

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Dali o Luís nos levou para Estação Alvaroa em Ollagüe já na fronteira com o Chile. Lá um amigo dele que nós contratamos esperava a gente para nos levar a San Pedro de Atacama. Conhecer o Salar e seus desertos ao redor foi simplesmente sensacional. Está entre os lugares mais incríveis que já estive na minha vida e um dos poucos onde pude me sentir em outro planeta. A Bolívia apesar de um país pobre, reserva grandes e lindas atrações para as pessoas, vale a pena conferir.

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