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Atravessando o Estreito de Magalhães

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Um dos lugares que passei mas que marcou foi esse, o Estreito de Magalhães, passagem onde o Oceano Atlântico encontra o Pacífico. Minha passagem por lá durou alguns minutos mas valeu a pena, afinal, não é todo dia que se atravessa o Estreito de Magalhães!

Onde fica o Estreito de Magalhães?

A passagem do Estreito de Magalhães fica localizado no extremo sul das Américas, mas propriamente dito na região de Magalhães Chilena e é a principal passagem de navegação natural do mundo. Ele une os dois oceanos e separa em 5km dois pedaços de terra, a América do Sul do arquipélago de ilhas da Terra do Fogo. Ao todo a distância que liga o Atlântico ao Pacífico é de 600km. O lugar leva esse nome devido ao navegador Fernão de Magalhães foi a primeira pessoa a navegar pelo estreito em 1520.

As águas ali podem chegar até 4 mil metros de profundidade, são geladas e as condições climáticas do local são considerado uma das piores do mundo, devido aos fortes ventos e grandes ondas ali se torna um dos piores lugares para navegação. Antes da criação do Canal do Panamá, Magalhães era a principal rota de navios que preferiam evitar o terrível Cabo de Hornos, local entre a América do Sul e a Antártica onde se encontram as piores águas do mundo.

Como atravessar o Estreito de Magalhães?

Passei por ali quando estava saindo de ônibus da cidade de Río Gallegos, que fica no continente até Ushuaia que fica no arquipélago da Terra do Fogo, logo a única passagem é pelo Estreito de Magalhães. A viagem é bem longa e de longe na estrada era possível ver o oceano. Chegando mais perto encontramos uma espécie de porto onde há grandes balsas de metal que são usadas para levar veículos de grande e pequeno porte até o outro lado de terra. Essas balsas são usadas como única forma de atravessar o estreito.

Os veículos entram na balsa e são presos pelas rodas com amarras fixas no chão, logo após nós entramos e as portas se fecham, rapidamente a balsa sai de lugar onde estava e inicia a sua pequena passagem. Para não morrer de frio ou se molhar há alguns espaços dentro da balsa para aguardarmos sentados, tem até uma cafeteria lá dentro, mas que quiser ficar do lado de fora também pode. A Balsa possui dois andares, o de baixo onde ficamos e o de cima onde é possível ver o mar pelo parapeito, mas nesse dia o vento e as ondas estavam super violentas e não me deixaram subir para ver, mas dava pra ver das janelas.

Os ventos estavam tão fortes que quando as ondas batiam na lateral da balsa uma grande onda invadia o convés dela, molhando todos que ali estavam e deixando sal impregnado nas roupas e na pele. São uns 15 a 20 minutos de travessia, suficiente para a balsa percorrer os 5km, ela é bem rápida. Chegando do outro lado os veículos saiam da balsa e seguiam até o estacionamento do outro lado e aguardavam os passageiros. Nesse momento parece que os ventos triplicaram de velocidade e meus óculos saíram voando, e lá foi eu correndo atrás de um óculos voador no Estreito de Magalhães.

Como eu estava de ônibus não sei se é necessário que o proprietário do veículo pague alguma taxa de embarque do veículo, provavelmente sim, para manter toda aquela infraestrutura.

Passar por ali foi realmente surpreendente para mim, escolhi ir de ônibus pois sabia que ele passaria por lá e já tinha escutado muitas histórias legais do Estreito de Magalhães, o lugar é realmente fascinante, quem já conheceu sabe como é, portanto fica minha dica!

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17 Comments

  1. 21 de Fevereiro de 2014 at 23:30 — Responder

    […] de El Calafate e fazendo pit stops em Río Gallegos e Río Grande além também de atravessar o Estreito de Magalhães, nesse meio tempo viajando eu descobri porque chamam o lugar de Fim do Mundo, pois você roda, roda […]

  2. João José Péres
    5 de Março de 2014 at 22:44 — Responder

    Cara, fascinante a tua aventura. Eu estive no Estreito de Magalhães em março de 2013, fui de carro, mas não atravessei o mesmo, pois como estávamos em tres carros, um deles não quis continuar a viagem até Uschuaia. Estávamos vinde de El Calafate, onde visitamos os Graiais Perito Moreno, uma beleza de paisagem, fique deslumbrado em ver tanto gelo.
    Vendo está tua apresentação, me deu uma vontade de voltar e ir até o fim. Vou fazer isto em outubro de 2014.
    Parabéns pelo lindo trabalho.

    • 7 de Março de 2014 at 12:16 — Responder

      Obrigado João! A Patagônia é demais mesmo, ainda quero voltar um dia, afinal, quero ver tudo o que tem por lá!!

  3. Valna
    18 de junho de 2014 at 20:03 — Responder

    A minha filha de 10 anos está fazendo um trabalho sobre o Estreito de Magalhães e as suas informações foram bastante importante para o desempenho do seu registro.Parabéns!

    • 18 de junho de 2014 at 20:46 — Responder

      Quem bom Valna!! Espero que sua filha tire nota máxima!! 😉

  4. […] Fogo, apesar do nome no lugar faz frio pra caramba. O arquipélago é separado do continente pelo Estreito de Magalhães e tem uma área total de 73.753 km² divididos para Argentina e Chile. O nome Terra do Fogo vem […]

  5. Francis Toshimitsu
    24 de julho de 2014 at 10:50 — Responder

    Bom dia Leonardo, estou planejando uma viagem com amigos de MotorHome saindo de Santiago/Chile até Usuaia/Argentina. Gostaria de algumas informações. Onde exatamente pegaríamos a balsa para atravessar o Estreito de Magalhães? Um Grande Abraço. Francis

    • 24 de julho de 2014 at 12:40 — Responder

      Oi Francis!! Então, só existe um lugar para atravessar o Estreito de Magalhães, é um local chamado Punta Delgada no Chile! Não sei como está sua rota ou por quais cidades irá passar, mas creio que será obrigado a passar por Río Gallegos na Argentina, pois é a cidade mais próxima de Punta Delgada, estando a cerca de 113km, dai tem que atravessar a fronteira para entrar no Chile, passar pelo estreito e depois outra fronteira para entrar na Argentina novamente. Não sei bem como é a questão de valores lá para passar os carros, creio que devem cobrar alguma taxa!

  6. Renê Dióz
    14 de outubro de 2014 at 20:38 — Responder

    Grande Leonardo, teus vídeos são umas das mais importantes fontes de informação para mim e meus amigos no nosso planejamento! Ainda bem que a internet nos proporciona coisas desse tipo hoje em dia, né não? Parabéns pela iniciativa!
    Só queria tirar uma dúvida contigo: quando fez este trajeto pela Patagônia e Terra do Fogo? Recomendaria algum período do ano específico?
    Abraço!

    • 14 de outubro de 2014 at 20:43 — Responder

      Olá Renê, obrigado! Então, a melhor época para rumar para o sul é de Novembro a Maio, época em que as coisas começam a ficar mais “quentes” por lá, ao contrário você pode pegar nevascas, tempestades de vento e estradas e parques fechados por causa do gelo em excesso. Resumindo, não vá no inverno! 😉

  7. 13 de Janeiro de 2015 at 12:46 — Responder

    PRETENDO VISITAR ESSE FIM DE MUNDO BEM BREVE.
    ACHEI ÓTIMA A SUA NARRATIVA.
    VOU LÁ CONFERIR.
    OBRIGADO

  8. 16 de Janeiro de 2015 at 17:39 — Responder

    Leonardo, parabéns por tuas explicações, nós recem chegamos de lá, fomos em 04 motos, os glaciares ou seja a Tierra del Fuego é muito linda, com muito vento e muito frio. Quanto a travessia do estreito todos pagam inclusive as motocicletas…
    Abraço y Buenas Rutas…

    • 17 de Janeiro de 2015 at 16:57 — Responder

      Obrigado Walmor!

    • Átila
      29 de junho de 2015 at 11:11 — Responder

      Olá Walmor!
      Gostaria de saber se você comprou o ticket da travessia do Estreito de Magalhães antes em algum site ou se comprou na hora de atravessar mesmo.. E o valor que pagou por moto??
      Você se lembra dos horários disponíveis de ida e volta??
      Estou planejando viajar pra Ushuaia e gostaria destas informações.
      Obrigado!

  9. 22 de Março de 2015 at 15:55 — Responder

    […] e Pacífico e servindo de rotas para grandes navios que desejam escapar das águas turbulentas do Estreito de Magalhães e da Passagem de Drake. O canal leva esse nome devido ao navio Britânico HMS Beagle, que fez duas […]

  10. Anabela
    5 de Abril de 2016 at 18:26 — Responder

    Olá Boa Noite, chamo-me Anabela e sou de Portugal e estou a fazer um trabalho de pesquisa sobre a Patagónia, realmente o que li no seu artigo fascinou-me muito, mas só tenho uma pequena questão, qual foi o porto em que atracaram para atravessar o Estreito de Magalhães?

    Muito obrigada, pela sua atenção, resto de bom trabalho!

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