Home»Europa»Belfast: A cidade dividida por um muro

Belfast: A cidade dividida por um muro

0
Shares
Pinterest Google+

A queda do Muro de Berlin em 1989 foi um avanço para humanidade, afinal, muros nunca foram considerados bons, porém ainda existem alguns muros espalhados por ai, como é o caso de Belfast na Irlanda do Norte, onde há um muro que divide a parte protestante da parte católica da cidade.

A História do Muro de Belfast

O muro em Belfast está ligado entre uma briga religiosa de Protestantes e Católicos. Os conflitos por causa disso começaram lá em 1969 quando a população católica começou a revindicar direitos civis e a independência da Irlanda do Norte, mas que teve como retorno um confronto entre grupos paramilitares protestantes que queriam manter os laços com a Grã-Bretanha e fizeram diversas sabotagens contra o outro grupo, foi quando os católicos decidiram então criar áreas liberadas, controladas pelos militantes armados do IRA (Exército Republicano Irlandês).

A Inglaterra então mandou tropas para Irlanda do Norte, onde 13 civis foram mortos em uma manifestação, o episódio ficou conhecido como Domingo Sangrento. Enquanto o exército britânico invadia as áreas liberadas o IRA passou a atacar também a Inglaterra. Enquanto isso os protestantes assassinavam os católicos e não aceitavam qualquer negociação que pudesse haver. Após 30 anos de batalha e depois de muita morte e sangue derramado o governo inglês selou um acordo que permitiu a construção de um governo católico e protestante.

Desde o começo do conflito até hoje mais de 3.500 pessoas já morreram e engana-se quem acha que o conflito que começou na década de 60 acabou, até hoje há vários confrontos, em 2013 por exemplo, 29 policiais ficaram feridos durante mais um conflito entre católicos e protestantes.

A vida em uma cidade dividida

A cidade ainda é bem dividida. Protestantes não podem viver em bairros católicos e vice-versa, eles temem represalhas. Comerciantes locais não aceitam empregados que venham do lado oposto do muro. Não existe linhas de ônibus que ligam os dois lados da cidade, se quiser ir para o outro lado com um transporte público é preciso ir para o centro de Belfast, a única área considerada “zona mista”.

O centro da cidade é o único lugar onde todos podem trabalhar ou residir juntos, o que é o resultado de políticas adotadas pelo governo para aproximar os dois lados. Mas parece que isso não vem dando resultado, os dois lados não se misturam nem mesmo nas escolas, onde apenas 6% delas são mistas, contra 94% destinadas ou apenas a protestantes ou apenas a católicos. Dados do último Censo de 2011 indicam que os protestantes são 48% da população, contra 45% de católicos, ou seja, quase que igualitário.

Visitando Belfast e o muro

O muro está espalhado por diversas partes da cidade. Para mudar o clima e até contar a história da guerra do ponto de vista de cada lado, ainda no século 20 a população começou a grafitar o muro com diversos desenhos e mensagens políticas, religiosas e de paz, inclusive homenagens a Bob Sands, militante que morreu em greve de fome durante a guerra, e até a Hugo Chávez e ao governo de Cuba. Os muros e suas mensagens se tornaram uma das marcas registradas da cidade e que apesar de tudo traz um grande potencial para o turismo em Belfast.

O muro tem uma extensão de 27Km e em determinados pontos ele possui portões que dão acesso ao outro lado, todos os dias em um determinado horário da noite os portões são fechados para evitar a circulação das pessoas. Eu fui visitá-lo na altura da Falls Road com a Northumberland Street, onde ficam uma das partes mais conhecidas e também um desses portões que citei acima.

Fui duas vezes ao muro de Belfast, a primeira foi bem rápida, na segunda eu já pude caminhar com mais calma, porém o clima no lugar é extremamente pesado, para não dizer o lugar com clima mais pesado que fui, ainda mais porque os portões estavam fechados e pelos buraquinhos da grade era possível ver as pessoas do outro lado.

Segundo os locais, os muros estão em processo de extinção e está previsto que venham abaixo até 2023, porém o próprio governo reconhece que a população não está pronta para esse acontecimento, que poderia piorar as coisas.

Comente pelo Facebook

comentários

Post anterior

Stonehenge: Tudo o que você precisa saber

Próximo post

O Museu de História Natural em Londres

Sem comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *