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“Você só está fugindo das suas responsabilidades, mas vai acabar caindo na rotina”. É, eu ouvi isso, e não foi só de uma pessoa não. Dai eu pensei: “Como pode? Essa gente não me conhece!

Novos desafios

Eu penso que quando você vai morar em outro país, você não tem apenas que arcar com suas responsabilidades, como aprender a lhe dar com outras novas e talvez mais difíceis ainda, pois obstáculos aparecem e precisamos ultrapassá-los. Rotina? Bom, rotina a gente tem em qualquer lugar, não tem como se livrar dela. Acontece que quando você muda de país a rotina é coisa nova, são novas com descobertas todos os dias da sua estadia, algo completamente diferente e até gostoso de se viver.

Há exatos 1 ano atrás eu escrevia um pequeno texto antes de partir para Irlanda e hoje escrevo mais um.

Rio Liffey e Ponte Samuel Beckett
Rio Liffey e Ponte Samuel Beckett

A experiência

1 ano que passou como 1 mês para mim. Lembro me como ontem do longo voo do Brasil até a Irlanda, do avião taxiando na pista do aeroporto de Dublin e da primeira raja de vento frio que recebi na cara quando desci do avião. Ali começava o inicio de uma nova fase na vida, onde nada mais importava. Claro que chegar em um lugar novo onde você se quer fala a língua nativa pode ser difícil no começo, você se torna uma criança novamente, está sozinho, precisa fazer amizades, precisa aprender a falar novamente, além de toda a procura por emprego a casa para morar. Um conjunto de fatores que são bem complicados, mas que a longo prazo só nos tornam mais fortes.

Monastério de Glendalough no condado de Wicklow.
Monastério de Glendalough no condado de Wicklow.

A Irlanda dividiu meu coração em 2 e Dublin se tornou uma segunda casa para mim. Foi na ilha que onde eu alcancei meu objetivo que era manter um certo domínio da língua inglesa, onde conheci gente do mundo inteiro, viajei para vários lugares lindos que eu nunca imaginaria que poderia conhecer, foi onde andei pelas ruas tranquilamente sem ter medo de ser assaltado ou de levar um tiro, onde cometi muitos micos e onde trabalhei em sub empregos ganhando salários altíssimos se comparado ao Brasil. Foi tudo tão rápido, mas tão intenso que eu não tenho palavras para explicar tudo que eu senti nesse tempo.

O preço a se pagar

Infelizmente nem tudo são flores e há um certo preço a se pagar. Depois de um certo tempo vivendo fora a gente perde contato com alguns amigos no Brasil, já outros amigos deixam de ser amigos por motivos bestas. Também somos obrigados a conviver com a distância… Saudades é uma coisa engraçada, acho que já trabalhei muito essa parte em outras viagens e consigo não sofrer com ela tanto assim, mas o problema é que quando ela bate, ela bate forte e o fuso horário de 2 horas no inverno e 4 horas no verão não ajudam em nada nessa parte.

Mas acho que uma dos piores preços a se pagar é saber que isso tudo não é para sempre e que uma hora vai ter que acabar. Sim, eu já vim para Irlanda com a certeza que mais cedo ou mais tarde eu teria que voltar para o Brasil ou para qualquer outro lugar do mundo.

Rio Liffey e avenida Arran Quay.
Rio Liffey e avenida Arran Quay.

Amo muito o Brasil, nosso país é lindo, mas a situação pelo qual está passando só desanima mais e me deixa angustiado só de pensar na volta. Um dos meus pesadelos mais frequentes durante esse tempo foi acordar assustado e suando frio sonhando que havia voltado ao Brasil. Eu sei que tenho família lá e que estão com saudades, mas sinto que ao pisar novamente na terrinha, será muito mais difícil de deixá-la. Não quero ser ignorante e nem anti patriota, mas depois que se vive em um país onde quase tudo funciona, fica inevitável fazer comparações.

Ainda estou aqui e não gosto muito de ficar pensando sobre essa síndrome do regresso. Não sei até quando fico, não sei se volto pro Brasil, não sei para onde vou, só o que sei é que tenho que aproveitar o máximo o que estou vivendo e o resto, bom o resto é consequência.

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