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Semana passada parti para mais uma viagem, dessa vez foi curta, apenas 9 dias. Aproveitei bastante mas já tinha em mente antes mesmo de partir, que quando voltasse algo mais me faria companhia, a famosa Depressão Pós-Viagem.

Não importa se a sua viagem foi de mais de um mês viajando por muitos países ou apenas um final de semana naquele lugar dos sonhos, a depressão sempre voltará com você. Não há como evitar, ela está ai e é cruel e não há muito o que se fazer. De todas as viagens que fiz essa é a 2ª depressão forte que me pega, a primeira foi em 2011 quando voltei de 1 mês de viagem pela Bolívia, Chile e Peru, a danada foi tão forte que eu cheguei a chorar e chorei como um bebê, sério mesmo, fiquei muito pra baixo.

Essa semana ela reapareceu após eu voltar de uma viagem ao Monte Roraima na Venezuela. A aventura foi intensa, recheada de emoções, novas amizades de várias partes do mundo e companheirismo. Quando estava voltando me bateu aquela “bad”, isso porque boa parte do pessoal que conheci iria seguir viagem para outros lugares e eu tinha que voltar, cogitei até ir junto com eles pois tinha dinheiro sobrando para mais umas 2 semanas mas o trabalho me prendeu mais uma vez. Quando isso acontece eu costumo ficar irritado, nervoso, principalmente em saber que vou ter que ficar preso novamente na rotina de 08 às 18 e que minha vida só vai começar mesmo após o expediente, mas que após ele eu preciso dormir porque não me sobra mais tempo.

Os sintomas são claros, eles começam a aparecer quando você ainda nem voltou de viagem, quando está arrumando sua mochila. Ele vai agravando assim que você volta para sua casa, ao abrir a porta do seu quarto bate aquele desanimo, você senta na cama meio triste enquanto sua mochila fica encostada na parede esperando a sua coragem para desfazê-la, isso faz com que pareça que você já está há anos sem viajar. A situação se agrava ao retomar a rotina de trabalho, a depressão faz com que você cogite a desistir de trabalhar, pedir demissão, que a vida está sem sentido e que você não aguenta mais ouvir a voz do seu chefe. Ela me faz querer desapegar de tudo que tenho, afinal, se eu consigo sobreviver com o que levo na mochila, para que preciso de tudo isso no meu quarto?

Essa é a crise existencial pela qual passo agora. Talvez para quem não viaje isso não faça sentido mas quem curte cair na estrada sabe do que estou falando. Mil coisas passam pela minha cabeça agora e eu não faço ideia por onde começar. Talvez ler alguns livros de viagem, visitar lugares ainda não conhecidos na sua própria cidade ou planejar uma próxima aventura, mesmo que pra longe ajude a diminuir a tensão, mas com toda certeza a única cura para esse mal é continuar viajando e continuar…

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16 Comments

  1. 4 de março de 2014 at 14:16 — Responder

    Fazem dois meses que não viajo e já estou mal…tive que cancelar uma viagem que ia fazer este mês e agora, outra viagem só em Maio…
    Por mais que eu goste do meu trabalho, sempre sinto um pesar ao voltar pra ele….sensação de tempo perdido…de que poderia estar visitando novos cantos da minha cidade, do estado…do mundo…mas não sou rica e não tenho como largar o emprego…
    O jeito é focar na próxima viagem.

    • 4 de março de 2014 at 18:01 — Responder

      O jeito é dar um jeito para não parar de viajar!! Te entendo Juliana!!

  2. Caio
    27 de março de 2014 at 14:38 — Responder

    To com uma deprê terrível também. Apesar de viajar sempre, praticamente 02 vezes por ano pra fora do país, essas minhas férias foram especiais demais. Fiquei 22 dias nos EUA entre NY, Las Vegas, Los Angeles e Miami e dessa vez curti mais, aproveitei de uma forma diferente que não sei explicar, conheci pessoas bacanas, dei muita risada. E poxa ter que voltar a essa rotina escravizante de escritório de segunda a sexta, transito, SP, gente estressada, violência, putz. Vontade de vender apto e largar tudo e derrepente montar um negocio ligado a turismo, ou guia, ou sei lá, só viajar por enquanto, rs. Penso que tenho espirito hippie as vezes, rs. Alguém sente o mesmo?

    • 27 de março de 2014 at 22:52 — Responder

      Entendo Caio… tava passando por isso, vontade de pedir demissão e cair na estrada, mas não é tão simples assim! Felizmente consegui superar, afinal a vida anda! =(

    • Juli
      3 de maio de 2018 at 17:56 — Responder

      – isso ai e so porque foram ferias passeio muda pra la que voce vai conhecer uma depressao muito pior ainda pois eu por conta de viajar a passeio ate vendi um apartamento pra mudar pra europa e me arrependo ate o ultimo chega um momento na vida que so a felicidade interior conta nada mais nem lugar ou viajem alguma.

  3. Gabriel
    3 de abril de 2014 at 00:07 — Responder

    Lembrei da minha viagem para Natal ano passado… Nunca tinha visto lugar tão lindo, QUERIA TANTO VOLTAR

  4. Nani
    20 de outubro de 2014 at 19:03 — Responder

    Nossa, me identifiquei muito com suas palavras, tudo que você descreveu é exatamente como me sinto agora, que acabei de voltar de uma super viagem que fiz. Engraçado é que as pessoas não conseguem entender o nosso sentimento e nos acham loucos. Mas só quem ama viajar, que pode nos entender. Não é fácil. E o melhor ainda é saber que eu não sou a unica que sente isso e que junto comigo, tem muito mais pessoas que compartilham do mesmo pensamento que eu. Em geral, todas as minhas viagens eu sempre volto deprê, muito pensativa e reflexiva sobre a minha vida. E quando retorno novamente pra SP, pra mesma vidinha de antes, aquela mesma rotina entediante e que nos consome as 24 horas do dia, é ai que percebo de verdade, que talvez eu não seja feliz. Sinto que só consigo ser feliz e viver de verdade quando estou viajando. Nos outros meses do ano, apenas trabalho, e o pior, vivo para trabalhar, pois me falta até tempo para usufruir do que eu ganho. É uma realidade triste, mas que serve pra repensarmos sobre a vida atual que levamos. E ai podemos perguntar pra nós mesmos: “será que sou feliz de verdade aonde eu moro?”. “será que sou feliz fazendo o que eu faço, na minha profissão?”…eu creio que cada um de nós já sabemos as respostas e não podemos mentir pra si próprio.
    É um choque de realidade. Vou para lugares que eu gosto, ricos de belezas naturais, paisagens lindas, lugares que tem valores diferentes e quando retorno para SP é um choque, o que eu encontro aqui? De cara já sou recebida em SP com um trânsito infernal na marginal, transporte público decadente, correria, stress, agitação, pessoas mal educadas e aquela rotina chatíssima do serviço, que se inicia as 08hs e não tem hora pra terminar. É muito desanimador. Fora a saudade que dá de tudo que você viveu no lugar que você foi, saudades dos momentos, dos lugares, das belezas, das comidas, das paisagens, das pessoas e até das musicas do local… A unica vontade que dá é de poder retornar o mais breve possível e reviver tudo. Foi muito bom passar por aqui, porque eu consegui encontrar pessoas que pensam igual a mim. É dificil, mas agente consegue continuar. Para não ficar pior, podemos fazer como você sugeriu, voltar de uma viagem, já pensando na próxima, pois assim, não dá nem tempo de entrar em depressão.

    • 20 de outubro de 2014 at 22:05 — Responder

      Hehe, pois é Nani, existem mais pessoas como nós do que você imagina. Infelizmente é complicado fugir da deprê pós-viagem, mas espero que você consiga superar essa fase assim como eu e já planejar uma próxima trip! 😉

  5. Nani
    22 de outubro de 2014 at 21:22 — Responder

    Pois é, é o que eu estou fazendo já. Já estou um pouco melhor… Descobri que tenho pressa de ser feliz. Viajar é o meu combustível, o que me mova, o que me anima e me faz continuar, sem isso, não é possivel continuar nesta caminhada dificil da vida… O unico jeito de não deixar a deprê tomar conta é voltar de uma viagem e já planejar a próxima… Muito bom saber que não estou sozinha nessa! Que possamos continuar sempre viajando!

  6. Helio Trindade
    5 de novembro de 2014 at 14:11 — Responder

    Quando viajamos, nos transformamos num personagem: O TURISTA. Esse personagem não somos nós. Esse personagem está ali num local feito para ele usufruir de tudo o que está à sua volta. Ele não precisa trabalhar, não precisa pagar as contas e todas as pessoas sorriem para ele.Tudo em volta é lindo, fashion, perfeito, quase como um comercial de televisão. Você não precisa fazer faxina e não precisa ir no super-mercado fazer as compras e abastecer a casa. O quarto está sempre limpo e esplendoroso, com todas as roupas de cama soberbamente limpas. Enfim, é um mundo onde não existe TRABALHO! Você só usufrui e só consome. Mas, nesse lugares, os “nativos” não estão lá! Eles estão trabalhando. Então se você for a Berlim, os alemães estão trabalhando. As professoras estão nas salas de aula, os motoristas de ônibus estão no seu dia a dia; Em Roma o cara que te atendeu sorrindo naquele hotel está louco para ir para casa e ver sua família, e assim por diante. As aeromoças não estão nem aí para você. Se pudessem escolher estariam viajando também. O seu médico também, e o veterinário da pet-shop da esquina também.Isso é uma indústria: a indústria do Turismo. Agora está na hora de deixar aquele personagem adormecido. E vocês estarão sendo vocês mesmos, TRABALHANDO. Senão será uma quase uma fuga, uma fantasia.Outra coisa: Largar tudo vai trazer muito mais problemas, e deixar vocês mais tristes ainda.

    • 5 de novembro de 2014 at 16:27 — Responder

      Oi Helio, vamos lá, tenho que defender minha causa (risos). Você rotulou todos os turistas com essa descrição, onde tudo é lindo e perfeito e que as pessoas trabalham pra gente, mas não é bem assim. Conheço muita gente que viaja e trabalha em troca de hospedagem, alimentação, transporte e por ai vai. Quem fica em albergue não tem roupa de cama limpa ou comidinha na mesa. Tá com fome? Vai cozinhar. Tá com o quarto bagunçado? Vai arrumar. Tá com algum problema? Se vira meu amigo, que a vida também não é mole pra quem viaja não. É desse tipo de viajante que eu me refiro.

      Conheci turista que estava trabalhando em albergue em troca de hospedagem, em restaurante pra levantar um dinheiro pra comer, gente que viaja para trabalho voluntário como professor e mesmo assim se diverte. Tem também o Couchsurfing, um tipo de hospedagem gratuita em que eu usei, mas também ajudei na casa em que fui recebido.

      Quem disse que largar tudo é um problema? Há histórias fascinantes de pessoas que largaram tudo (com planejamento prévio claro) e se deram muito bem em diversas áreas e nem por isso deixaram de viajar. Por onde passaram aprenderam e ensinaram, porque no fim da vida, o que vai ter feito valer a pena por termos chegado tão longe são as experiências que vivemos. Jamais viverei em função de trabalho rotineiro. Já abri mão de muitos e isso me deu a oportunidade de conhecer lugares únicos no mundo, que uma pessoa que trabalha de 08h as 18h de Seg a Sáb dificilmente vai conhecer. Eu sou eu mesmo viajando, pois hoje isso é o meu trabalho. 😉

  7. Gabriel
    15 de junho de 2016 at 13:39 — Responder

    Há 2 meses e meio, pela primeira vez na vida, fui à praia, em Caraguá. Foi um bate-e-volta. Eu voltei com tristeza, pq foi muito rápido. Me deu até depressão e, por sinal, tô com essa depressão até hoje.

  8. Anderson
    5 de setembro de 2016 at 12:24 — Responder

    Gostei da forma como vc escreve, as vezes sinto falta desse tipo de narrativa nos blogs de viagem. Realmente essa bad pós viagem é um drama que faz parte do roteiro mesmo. Se a viagem foi incrivel aí que a coisa aperta!
    Abraço

    • 5 de setembro de 2016 at 13:26 — Responder

      Muito obrigado Anderson!!! Realmente, quanto mais boa a viagem, mais forte é a depressão depois! =)

  9. josiana
    12 de setembro de 2017 at 13:28 — Responder

    Olá gostei de todos os comentários os prós e os contras rs.
    estou com essa deprê pós viagem e olha que já faz 1 mês que voltei, me sinto irritada no trabalho e sem motivação, parece que quando a gente sai da casca do ovo (viagem) e descobre um mundão lá fora, não tenho vontade de voltar, fico me questionando… tenho mesmo que viver essa vidinha, o emprego estável e a voz do chefe quase em tom ameaçador a te cobrando toda hora, mas como disseram acima não sou rica e sim assalariado. Estou seguindo os conselhos em programar a próxima viagem, mas dentro de mim algo fica gritando eu quero ser e ter mais da vida, do que ficar trancada 10 horas por dia na casquinha do ovo, mas quem pagará as contas? e se o dinheiro faltar? e se eu me arrepender? e se não tiver dinheiro? e se …e se? e a vida vai passando…socorro!

    • 14 de setembro de 2017 at 09:01 — Responder

      É esse sentimento meso Josiane! Ainda não achei a resposta, mas toda viagem é a mesma coisa.

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