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A “Cidade dos Mortos” em Buenos Aires

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Provavelmente você conhece pessoas que vão aos cemitérios apenas para lembrar um amigo ou familiar querido que já se foi e não para praticar o turismo. Talvez isso se aplique aos cemitérios mais comuns mais não ao Cemitério de Recoleta em Buenos Aires. Lá fui eu conhecer!

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Como chegar ao Cemitério de Recoleta?

Acho que posso dizer que por sua dimensão o Cemitério de Recoleta (Cementerio de la Recoleta) é quase uma cidade de pessoas mortas e um dos cemitérios mais famosos e visitados do mundo. O local fica no bairro de Recoleta, um dos mais nobres de Buenos Aires e diversas linhas de ônibus passam lá em frente, como as linhas 10 e 59, ambas passam pelo Obelisco e chegam há 1 quadra de distância do cemitério, nada muito longe e dá pra ir andando.

Identificar o cemitério não é tarefa difícil, de longe já vai ser possível ver seus muros de pedra bem altos, parecendo mais um grande forte e lá dentro os diversos mausoléus, alguns parecidos até com pequenos castelos, onde se encontram o mais alto escalão argentino, pessoas que foram muito importantes como generais, políticos e atores, dentre eles a famosa Evita Perón no túmulo da Família Duarte.

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O Cemitério de Recoleta

No cemitério hoje existem mais de 6 mil túmulos, é tanto túmulo que em alguns lugares você chega a caminhar por pequenas vielas bem estreitas e cheias de gatos em algumas partes. Os túmulos são um pouco diferente do que vemos nos cemitérios aqui no Brasil. Geralmente são construção um pouco altas, com diversas formas e estátuas em pedra e bronze, algumas de anjos, outras do próprio morto. Os mausoléus costumam ser maiores ainda, alguns até de 2 ou 3 andares que abrigam famílias inteiras e é possível ver isso pois a maioria possui uma porta de vidro e até mesmo de grade permitindo ver todos os caixões cobertos de poeira e teias de aranha lá dentro.

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Caminhando mais pelos labirintos do cemitério você pode ter momentos em que não ouvirá nada e se pegará caminhando entre as diversas vielas com clima sombrio e gótico, estátuas de pedras como anjos, viúvas chorando, mulheres com bebês no colo, virgens encapuzadas com um olhar triste para baixo com as mãos unidas pedindo com angustia por um milagre que nunca chegará. Mães de luto em forma de mármore estarão por todas as partes e no topo dos mausoléus grandes anjos alados. As expressões parecem ser tão reais que até dá uma certa aflição de ficar encarando aquelas estátuas, algumas parecem penetrar em nossos olhos.

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Diversas pessoas importantes estão lá, como o caso do fundador da armada argentina William Brown e sua filha que se afogou em um rio após saber que seu pai planejou o assassinato de seu noivo. Rufina Cambaceres e sua filha que após ter um ataque de catalepsia foi considerada morta sendo que ainda estava viva, ela morreu tentando escapar do caixão. Não menos importante está Eva Perón, o seu mausoléu fica praticamente no coração do cemitério e não é tão grandioso assim como tantos outros, é bem simples. Eva Perón está sob toneladas de concreto para proteger seu corpo de possíveis rebeldes políticos. Em seu túmulo está escrito “Eu voltarei e serei milhões” e muitas rosas na porta.

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O lugar é muito buscado por turistas devido as fabulosas construções que foram erguidas entre os anos de 1880 a 1930, tempos dourados em Buenos Aires onde era uma das cidades mais ricas do mundo, e que permanecem em pé até hoje. Na época da construção, só a elite portenha tinha o direito de enterrar alguém no cemitério e para isso chamavam arquitetos estrangeiros, muitos franceses para encomendar os melhores mausoléus. Eles construiram uma cidade dentro de outra cidade.

O Cemitério de Recoleta vale uma visita, é um local com uma grande arquitetura e que querendo ou não conta boa parte da história da Argentina.

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6 Comments

  1. revistadeviagem
    22 de novembro de 2013 at 22:09 — Responder

    Eu fiquei impressionada com o Cemitério da Recoleta quando estive lá. As estátuas e os mausoléus são lindos demais. E eu me perdi, viu. Fui com um tour do hostel mas me perdi deles lá dentro! hahaha

    Esses dias, tava conversando com meu pai, tentando convencê-lo a voltar a Buenos Aires e ir ao cemitério. Ele ficou apavorado! hahaha Falou que não ia viajar e ir a um cemitério. Já eu, adoro. Quando estive em Boston, fiz a Freedom Trail e parei em to-dos os cemitérios. rsrs

    Ótimo post, parabéns!

  2. thiago lobato
    25 de novembro de 2013 at 12:20 — Responder

    Rufina sofreu catalepsia e não ataque epiletico

  3. William Haddad
    25 de novembro de 2013 at 14:24 — Responder

    tua postagem foi muito legal gostosa de ler com algumas fotos sem rodeios e nem longa demais deu uma ideia de como é o lugar e da beleza do trab. dos artistas. forte abração do tio will dos blogs

  4. 25 de novembro de 2013 at 14:33 — Responder

    Visitar cemitério é uma coisa estranha, né? Mas acho bem interessante! No meu blog, fiz uma seleção de cemitérios curiosos pelo mundo e o de Buenos Aires está lá: http://wp.me/p1NmyZ-WV

  5. Pedro Mendes
    27 de novembro de 2013 at 18:12 — Responder

    Faltou foto do mausoléu da moça com o cachorro, pra mim um dos mais marcantes, sonhei com ele alguns dias depois da visita kkkkkkkkkkkkk

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