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Uma vez fui viajar e não voltei.

Uma amiga veio falar comigo pelo facebook a respeito de um texto que ela viu e achou sensacional, ela me mandou o link e eu fui ler, fiquei sem palavras.

Marcelo Penteado, autor do texto, soube transmitir um tipo de sentimento que a maioria de nós, mochileiros, viajantes e aventureiros, sabe que tem, mas não sabe transmitir esse sentimento ao próximo.

Antes de tudo, entrei em contato com o Marcelo, que por sinal escreve no blog Sigo Escrevendo, e pedi a autorização dele para republicar esse texto que eu acho que deve ser lido por todas as pessoas. O Marcelo autorizou e segue o texto a baixo.

Uma vez fui viajar e não voltei.

Não por rebeldia ou por ter decidido ficar; simplesmente mudei.

Cruzei fronteiras que eu nunca imaginaria cruzar. Nem no mapa, nem na vida. Fui tão longe que olhar para trás não era confortante, era motivador.

Conheci o que posso chamar de professores e acessei conhecimentos que nenhum livro poderia me ensinar. Não por serem secretos, mas por serem vivos.

Acrescentei ao dicionário da minha vida novos significados para educação, medo e respeito.

Reaprendi o valor de alguns gestos. Como quando criança, a espontaneidade de sorrisos e olhares faz valer a comunicação mais universal que há – a linguagem da alma.

Fui acolhido por pessoas, famílias, estranhos, bancos e praças. Entre chãos e humanos, ambos podem ser igualmente frios ou restauradores.

Conheci ruas, estações, aeroportos e me orgulho de ter dificuldade em lembrar seus nomes. Minha memória compartilha do meu desejo de querer refrescar-se com novos e velhos ares.

Fiz amigos de verdade. Amigos de estrada não sucumbem ao espaço e nem ao tempo. Amigos de estrada cruzam distâncias; confrontam os anos. São amizades que transpassam verões e invernos com a certeza de novos encontros.

Vivi além da minha imaginação. Contrariei expectativas e acumulei riquezas imateriais. Permiti ao meu corpo e à minha mente experimentar outros estados de vivência e consciência.

Redescobri o que me fascina. Senti calores no peito e dei espaço para meu coração acelerar mais do que uma rotina qualquer permitiria.

E quer saber?

Conheci outras versões da saudade. Como nós, ela pode ser dura. Mas juro que tem suas fraquezas. Aliás, ela pode ser linda.

Com ela, reavaliei meus abraços, dei mais respeito à algumas palavras e me apaixonei ainda mais por meus amigos e minha família.

E ainda tenho muito que aprender.

Na verdade, tais experiências apenas me dirigem para uma certeza – que ainda tenho muito lugar para conhecer, pessoas a cruzar e conhecimento para experimentar.

Uma fez fui viajar…

e foi a partir deste momento que entendi que qualquer viagem é uma ida sem volta.

(Marcelo Penteado)

Demais mesmo não é? Bom, quer ver mais? Então acessa o blog Sigo Escrevendo, lá o Marcelo posta textos sensacionais!

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comentários

Olá! Meu nome é Leonardo, tenho 29 anos, sou de Brasília - DF, mas moro na Europa há mais de 4 anos. O desejo de viajar somou com uma frustração que aconteceu e me fez sair do Brasil. Eu amo viajar, conhecer lugares, pessoas e culturas, tanto que resolvi criar o blog Tô Longe de Casa para poder compartilhar com as pessoas todas essas minhas experiências pelo mundo.

Comentários
  • Leticia

    realmente o texto é muito bom! traduz exatamente nosso sentimento!

    09/05/2013
  • Diego Henrique

    Muito bom..

    09/14/2013
  • rebecca

    Nao canso de ler esse texto!!!

    09/29/2013
  • O destino da viagem é partir quando chegar……..

    10/05/2013
  • Camila

    Ai meu coração!

    10/21/2013
  • Adorei…! Grande!

    12/19/2013
  • petronio

    Excelente! Ninguém é mais feliz que alguém arrumando a mala para viajar
    rumo ao desconhecido!

    09/20/2014
  • Luciana

    O texto, à primeira vista, parece interessante. Mas, ao refletirmos mais profundamente ele também cai em certos clichés. “Jogue tudo para o alto e seja feliz como bem entender…” como se cada um de nós não tivesse que lidar com suas próprias contingências, limitações e histórias pessoais áridas, numa sociedade que se apropria disso e nos escraviza. Inclusive, o outro lado da moeda, do viva como quiser, se torna escravizante. E no meio o indivíduo cheio de culpas, arrependimentos, frustrações. .. Tudo isso só vem revelar o quanto que viver na sociedade contemporânea pode ser angustiante. Temos sempre que perseguir algum modelo, seja a do funcionário público absorto pelo tédio e burocracia, seja do executivo marionete ou o do viajante inveterado. Não podíamos apenas viver?

    09/21/2014

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