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Escalar o Kilimanjaro: Um ritual de passagem entre Pai e Filho.

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Hoje é dia dos pais, não sabia como fazer tal homenagem para todos os pais e tão pouco sou um para saber como é o sentimento, mas encontrei um texto-relato bem legal referente a escalada de pai e filho rumo ao topo do Kilimanjaro, a montanha mais alta da África.

Tim Ward lançou um livro intitulado de “Zumbis no Kilimanjaro” após ter conquistado o cume da montanha junto do seu filho. O livro leva esse nome pois segundo Tim, a pessoa quando escala montanhas muito altas geralmente perdem a força e andam meio cambaleando, como zumbis. Ele afirma ser uma transformação, mas que quando se chega ao cume essa transformação muda.

Escalar o Kilimanjaro é uma experiência única para muitas pessoas. Paradoxalmente, as coisas que fazem a montanha ser tão difícil são as mesmas que a tornam tão magnifica. Embora seja uma escalada fácil, sem o uso de muitos equipamentos é preciso determinação para encarar a subida e a falta de oxigênio.

Escalar o Kilimanjaro (1)

Muitas pessoas escalam o Kilimanjaro para momentos especiais, como para fazer pedidos de casamentos e provar os próprios limites, no caso de  Josh, filho de Tim, a caminhada até o Kilimanjaro provou ser um poderoso símbolo de sua transição para a idade adulta, e uma profunda mudança no relacionamento dos dois. Sociedades tribais sempre tiveram ritual poderosos para iniciar os meninos na idade adulta. Mas a nossa sociedade moderna perdeu os rituais que marcam esta transição.

Para os rituais de terem significados, devem haver perigo e riscos, o jovem deve completar a tarefa através de sua própria força de vontade. Na ausência desses rituais, é de se admirar que muitos jovens sofrem uma “falha pessoal” quando chegam a idade adulta. Tim se sentia tão culpado quanto qualquer pai moderno em tornar a vida fácil, talvez até demais para seu filho.

Abaixo o relato de Tim sobre a escalada entre pai e filho:

Três dias na montanha e Josh foi atingido com dores de cabeça enorme. Aclimatação foi dolorosa para ele, mesmo com Diamox, uma droga de prescrição que dizem aliviar os sintomas do mal de altitude. Eu o vi subir e descer morros íngremes. Ele me disse que a cada passo parecia que enfiavam um prego na sua cabeça.

Na noite em que passávamos pela borda da cratera, há 40 minutos do cume, Josh caiu. Eu estava andando na sua frente, e nem sequer o vi cair. Felizmente, ele só tropeçou e caiu de bruços na neve. Um pouco mais para direita e ele poderia ter caído dentro da cratera. Ele parecia um zumbi, tão exausto, não conseguia se levantar, só queria parar um pouco e dormir.

Ele se lembra de nossos guias na Tanzânia em pé ao seu lado, debatendo se eles devem ou não levá-lo para baixo. Josh então se levantou e seguiu novamente em direção ao cume. Perto de lá, ele me encontrou inconsciente em meu próprio casulo de altitude e juntos com um pouco de delírio atingimos o cume.

“Eu nunca estive com tanta dor e tão feliz ao mesmo tempo”, ele resmungou, quando nos sentamos lado a lado sobre uma rocha congelada e olhando para a África.

Na descida o efeito da altitude foi passando, Josh virou-se para mim e disse: “Você sabe que, no passado, quando íamos acampar você sempre cuidava de mim e me ensinava. Você guiou e cuidou de mim para isso que fizemos hoje, metaforicamente, pois o Kilimanjaro é bem diferente, mas eu nunca me senti assim, quando eu estava com dor e cai, você não agiu como um pai.”

“Isso não é bem verdade”, eu respondi. “Quando você me disse que caiu e eu nem percebi, meu primeiro pensamento foi, ‘Oh meu Deus! Eu sou um pai tão mau! “Mas, em seguida, pensei: ‘Ele tem a si mesmo. Ele caminhou até o pico por conta própria. Ele não precisa mais de mim para o ajudar. ”

Percebi ali que o ritual havia se cumprido e houve uma transformação, subimos ao topo como pai e filho e descemos juntos como melhores amigos.

Texto traduzido e adaptado do National Geograph

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